
(Foto: "Curso de Iniciação ao Teatro", no Centro de Cultura, pelo Grupo Avante Época-Teatro, coordenada por Avanilton Carneiro, orientado por Célia Santos. Um dos objetivos é escolher o elenco para a peça: "O Porão". - Roberta Kelly, Avanilton Santos (Costas), Mateus Novais, Poliana Santos e Robson Ferraz)
A pressão psicológica se ascende quando ela relata que está tendo um relacionamento homossexual com a mulher dele e que ambas estão gostando e se descobrindo, mas acentua-se mais quando ela informa da traição que sua esposa cometera com um garoto da rua em que eles moram. E de maneira perversa ela detalha a ação, falando das posições, sentimentos da mulher e ferindo-lhe o orgulho chamando-o de corno. Ele se irrita, perde o controle, a expulsa do porão. Ela finge que cedeu. Sobe os degraus e chega ao cúmulo da tortura ao relatar o relacionamento sexual que teve, num mesmo dia, com o filho dele de apenas quatro anos e a filha de sete. Mostra que a menina, mesmo tão nova, já havia tido outras experiências com a empregada doméstica. Ele vai ao extremo da perturbação psicológica. Viu que a sua família foi moralmente ferida. Ela não só o torturava como interferia no fator psicológico dos seus filhos para o resto da vida. Vem à torna a pedofilia tão debatida e evolutiva nesses dias, ou seja: divulgada as barbarias que vinha acontecendo, mas não ganhavam as manchetes. O que seria daquelas crianças nas mãos de um mente perversa como o daquela mulher? Quem era ela? Não conseguia lembrar. Como ela não conseguia decifrar o segredo que o dinheiro dele não sobrava para pagar os débitos corriqueiros da família. Ele se irritou. Será o que ela estava tentando alcançar. Fazer a pressão psicológica relatando que a mulher o traía era viável, porque podia fazê-lo odiá-la. Mas narrar o abuso sexual contra os seus filhos. Ele poderia detestá-la por isso. Ela jamais poderia conquistar o seu principal objetivo: o amor dele. Ou simplesmente era uma maneira para se excitarem, apagarem as luzes e se satisfazerem? Será que ela descobriu que ele precisava ouvir casos como os abusos contra seus filhos para não reagir ao sexo que de início ele se recusava? Aceitá-la passivamente? Será que ambos se mereciam?
A peça chega ao clímax da tensão no quarto quadro, onde os segredos caem por terra. Quando Erínea descobre que mesmo o mantendo acorrentado numa cama, num porão, tendo-a apenas como mulher, ele jamais a amaria, porque mesmo naquela condição de total dominado ele a enganou, a traía, protegia quem ele realmente amava: a amante. Ela se sente arrasada e decreta a sentença de morte dele revelando-lhe quem era. Ele se espanta e percebe o porquê ela havia contando os abusos sexuais contra os seus filhos. Ele não era inocente para saber que não ficou em apenas um dia, mas devia ser uma rotina ao longo dos anos de convívio sob o mesmo teto. Provavelmente, o relacionamento entre ela e a sua mulher começara quando ele deixava sua esposa sem sexo por mais de vinte dias. Agora, de dia, ela se envolvia com as crianças e a mulher; de noite, era a vez dele. Uma doente sexual. Só que ferida, decepcionada e derrotada. Todos os seus argumentos foram em vão. Ela os descartou. Havia revelado sua identidade. Era do convívio dele. Não confiava que ele iria embora com a amante e a deixava impune. Tinha a prática da pedofilia. Ela podia adivinhar que ele não era tão monstro para saber que seus filhos estavam sendo molestados, usados sexualmente e partiria com uma amante deixando-a impune e seus filhos a mercê da sorte. A própria mulher dele só aceitava a convivência a duas porque não sabia de nada. Nunca desconfiou. Também era enganada. Ele sabia que lhe restava pouco tempo de vida, mas não podia se entregar. Apareceu como última chance o fato dela não querer matá-lo sob a força da emoção, mas se acalmar e agir friamente para poder destruí-lo com consciência como fizera com os padrastos. Confessando essas mortes, ela anuncia de que não era uma amadora. Já tinha experiência em ceifar vidas. Ela sai e deixa as luzes ligadas para que ele olhasse tudo ao seu redor pela última vez. Era um anúncio de que quando voltasse seria para liquidá-lo. Seria a última esperança para ele que pensa não ser possível torna-se vítima de uma psicopata só por tê-la provocando ao tentar conquistá-la para a cama. Será que a tentativa de uma simples orgia havia despertado um monstro que ele estava conhecendo a sua fúria?
Erínea chega fria e calma para dar o desfecho. Ele percebe que ela havia tomado a decisão fatal. Ao longo do mês cuidou dele, o barbeou, levava ao banheiro, trocava-lhe as roupas. Dava todo o cuidado que um prisioneiro podia ter. Só não falava mais com ele. Também não respondia aos inúmeros questionamentos. Não mais o procurava sexualmente. Aceitou a derrota. Sabia que era impossível fazer alguém amar alguém pela força. No fundo, ela acabava de descobrir que tudo não passou de uma obsessão. Estava louca, cometera loucuras perversas por causa de um homem a ponto de matar duas criancinhas inocentes e indefesas só para se vingar. Será que o fato dela descobrir que ele não amava a sua mulher, que casara só por causa de um emprego dado pelo tio dela e que seu verdadeiro amor era a secretária a fez cometer tamanha perversidade contra os filhos de Pã? Será que quando cometeu os crimes veio à tona que tudo não passava de uma loucura e que não tinha mais o caminho de volta? Eis que ela, antes de confessar a morte dos filhos, revela quem realmente era ela. Boquiaberto com a surpresa, o homem toma ciência de que só um milagre o salvaria. Ele nem se lembrava mais. Jamais iria imaginar que um dia podia ser vítima de uma ex-vítima sua. Um ato de pedofilia na sua juventude deixou marcas na mente de uma criança que, realmente, antes de matá-lo ela só queria amá-lo, retomar a paixão de infância, pois ela se envolveu sentimentalmente sem saber que era usada por um aproveitador de crianças. Ela não sabia que era vítima, pensava que fosse o motivo, que ele só mantinha um relacionamento com a sua mãe para poder ter acesso a sua casa e lhe ter nos braços. Era isso que a sua mente achava. Ele só sumiu no mundo com medo do seu pai o matar. Seu pai o procurava não por causa do verdadeiro relacionamento entre os dois, mas por descobrir às falsas promessas que fazia a sua mãe. Por isso ela resumiu a sua vida em procurá-lo. Durante toda a sua existência, pensou que aquelas eram as juras verdadeiras de amor. Talvez, curada do clímax da obsessão. Descobriu que ele significaria o fim da sua liberdade e que sua felicidade estava nos braços de outra mulher: Roseli, a mulher de Pã. Realmente, ele não podia ser libertado, mas também não merecia morrer instantaneamente. Tinha que ser lento, sofrer o mesmo que seu pai sofreu. Por outro lado, era tudo o que ele queria, pois tinha a esperança que se fosse deixado para morrer lentamente restava-lhe a dádiva de um milagre.
É mais uma batalha que o autor, Avanilton Carneiro, empenha-se a vencer ao longo dos seus trinta anos de existência no Teatro Conquistense e esquecido nesse interior do Nordeste Brasileiro.
A peça chega ao clímax da tensão no quarto quadro, onde os segredos caem por terra. Quando Erínea descobre que mesmo o mantendo acorrentado numa cama, num porão, tendo-a apenas como mulher, ele jamais a amaria, porque mesmo naquela condição de total dominado ele a enganou, a traía, protegia quem ele realmente amava: a amante. Ela se sente arrasada e decreta a sentença de morte dele revelando-lhe quem era. Ele se espanta e percebe o porquê ela havia contando os abusos sexuais contra os seus filhos. Ele não era inocente para saber que não ficou em apenas um dia, mas devia ser uma rotina ao longo dos anos de convívio sob o mesmo teto. Provavelmente, o relacionamento entre ela e a sua mulher começara quando ele deixava sua esposa sem sexo por mais de vinte dias. Agora, de dia, ela se envolvia com as crianças e a mulher; de noite, era a vez dele. Uma doente sexual. Só que ferida, decepcionada e derrotada. Todos os seus argumentos foram em vão. Ela os descartou. Havia revelado sua identidade. Era do convívio dele. Não confiava que ele iria embora com a amante e a deixava impune. Tinha a prática da pedofilia. Ela podia adivinhar que ele não era tão monstro para saber que seus filhos estavam sendo molestados, usados sexualmente e partiria com uma amante deixando-a impune e seus filhos a mercê da sorte. A própria mulher dele só aceitava a convivência a duas porque não sabia de nada. Nunca desconfiou. Também era enganada. Ele sabia que lhe restava pouco tempo de vida, mas não podia se entregar. Apareceu como última chance o fato dela não querer matá-lo sob a força da emoção, mas se acalmar e agir friamente para poder destruí-lo com consciência como fizera com os padrastos. Confessando essas mortes, ela anuncia de que não era uma amadora. Já tinha experiência em ceifar vidas. Ela sai e deixa as luzes ligadas para que ele olhasse tudo ao seu redor pela última vez. Era um anúncio de que quando voltasse seria para liquidá-lo. Seria a última esperança para ele que pensa não ser possível torna-se vítima de uma psicopata só por tê-la provocando ao tentar conquistá-la para a cama. Será que a tentativa de uma simples orgia havia despertado um monstro que ele estava conhecendo a sua fúria?
Erínea chega fria e calma para dar o desfecho. Ele percebe que ela havia tomado a decisão fatal. Ao longo do mês cuidou dele, o barbeou, levava ao banheiro, trocava-lhe as roupas. Dava todo o cuidado que um prisioneiro podia ter. Só não falava mais com ele. Também não respondia aos inúmeros questionamentos. Não mais o procurava sexualmente. Aceitou a derrota. Sabia que era impossível fazer alguém amar alguém pela força. No fundo, ela acabava de descobrir que tudo não passou de uma obsessão. Estava louca, cometera loucuras perversas por causa de um homem a ponto de matar duas criancinhas inocentes e indefesas só para se vingar. Será que o fato dela descobrir que ele não amava a sua mulher, que casara só por causa de um emprego dado pelo tio dela e que seu verdadeiro amor era a secretária a fez cometer tamanha perversidade contra os filhos de Pã? Será que quando cometeu os crimes veio à tona que tudo não passava de uma loucura e que não tinha mais o caminho de volta? Eis que ela, antes de confessar a morte dos filhos, revela quem realmente era ela. Boquiaberto com a surpresa, o homem toma ciência de que só um milagre o salvaria. Ele nem se lembrava mais. Jamais iria imaginar que um dia podia ser vítima de uma ex-vítima sua. Um ato de pedofilia na sua juventude deixou marcas na mente de uma criança que, realmente, antes de matá-lo ela só queria amá-lo, retomar a paixão de infância, pois ela se envolveu sentimentalmente sem saber que era usada por um aproveitador de crianças. Ela não sabia que era vítima, pensava que fosse o motivo, que ele só mantinha um relacionamento com a sua mãe para poder ter acesso a sua casa e lhe ter nos braços. Era isso que a sua mente achava. Ele só sumiu no mundo com medo do seu pai o matar. Seu pai o procurava não por causa do verdadeiro relacionamento entre os dois, mas por descobrir às falsas promessas que fazia a sua mãe. Por isso ela resumiu a sua vida em procurá-lo. Durante toda a sua existência, pensou que aquelas eram as juras verdadeiras de amor. Talvez, curada do clímax da obsessão. Descobriu que ele significaria o fim da sua liberdade e que sua felicidade estava nos braços de outra mulher: Roseli, a mulher de Pã. Realmente, ele não podia ser libertado, mas também não merecia morrer instantaneamente. Tinha que ser lento, sofrer o mesmo que seu pai sofreu. Por outro lado, era tudo o que ele queria, pois tinha a esperança que se fosse deixado para morrer lentamente restava-lhe a dádiva de um milagre.
É mais uma batalha que o autor, Avanilton Carneiro, empenha-se a vencer ao longo dos seus trinta anos de existência no Teatro Conquistense e esquecido nesse interior do Nordeste Brasileiro.


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