
Além destes temas tão polêmicos, propomos mostrar a força da mulher no teatro, onde as duas personagens se confundem na força do papel que desempenham e torna-se difícil estabelecer quem é a principal protagonista. Desconhecemos o todo da produção literária teatral, no Brasil, mas sabemos que se o texto não é o único é um dos poucos que traz duas mulheres homossexuais e com tamanha força no contexto. Em Vitória da Conquista, cidade onde a obra foi concebida é o único no gênero.
Propomos também, analisar os diversos tipos que participam na comunidade social, como o pai viciado, estuprador, capaz de renegar o fruto de um amor em favor do desejo carnal e do dinheiro tornando-se um assassino; a tia que livra a sobrinha das brutalidades do pai, mas foge as normas estabelecidas pela própria Justiça e a usa sexualmente também praticando a pedofilia; o Negrão, figura que surge para se analisar o quanto a nossa sociedade é preconceituosa e camufla o racismo, é fruto do sistema selvagem do país que sem oportunidade cai nas drogas, furtos e estupros, mas redime-se quando acha uma proposta de trabalho honesto, mesmo com uma ex-vítima; a repórter sempre em busca de um furo: o que é tragédia para uns é prazer de informar para outros; plantonista de uma delegacia pública, retrato de um sistema que quase sempre não respeita os sentimentos de quem busca informação ou auxílio em momentos difíceis.
A peça é misturista por trazer mais de um tema, diversos subtemas e gêneros. Além dos temas enfocados, podemos destacar o circo da moda, sonho de muitas Julietas por este mundo afora, e quem sempre se dar bem são os agentes; o futebol, paixão nacional, onde as mulheres a cada ano buscam conquistas de novos espaços e só não evoluíram em muito porque as Federações e Ligas ainda são dominadas pelos homens; a traição num relacionamento cheio de momentos bonitos, sinceros e cercado de prazeres; a ganância pelo dinheiro, onde os personagens não respeitam amor de pai para filha, de cunhado ou de verdadeiras amantes: o dinheiro conduz o sistema e quem vive nele, no texto, não há a bondade esperada por todos e tão comum como lição de moral, o pai não se arrepende do que fez, quer é mais, o máximo para satisfazer o seu prazer, com a filha e com o dinheiro em poder dela, os psiquiatras que se justifiquem, a amante não quer saber se o seu amor voltará encarnada em outra pessoa ou não, não importa se é branca ou negra a análise vai de acordo a cultura de cada um: o dinheiro era mais importante, poderia realizar todos os sonhos até então inibidos, quantas outras Julietas ela poderia conquistar com toda aquela grana; o confronto de dois grandes temas: a ressurreição versus a reencarnação. A primeira explícita no ato de Julieta Silva voltar antes de subir ao céu, onde ela própria explica que teve uma nova oportunidade para falar onde estavam os dólares que seriam destinados a uma operação que provocaria a sua própria reencarnação na pele do Cherebronildo contradizendo toda a filosofia do catolicismo e do espiritismo; a questão do vício desponta no enfoque de que as drogas podem mudar toda a trajetória normal de uma família, vidas de pessoas normais podem ser destruídas socialmente ou até mesmo ceifadas; a problemática sexual se faz presente nas suas diversas formas e gostos apresentados pelas personagens onde abre um leque para se debaterem essa temática ainda tabu para muitos.
O misturissmo dar-se também quanto ao gênero. O público desconhecedor dos estilos dramáticos nem perceberá, mas quem conhece as escolas literárias viajará ao longo de muitas delas, como: tragédia, comédia, tragicomédia, drama social, policial, beisterol, clássica, romântica, moderna, pós-moderna, modernidade, fantástica... Por isso é capaz de agradar a gostos diversificados.
Nosso trabalho não se limita a um público elitizado, mas a todo indivíduo que queira raciocinar sobre o mundo.
Todo grupo que propõe montar uma peça sabe que tem pela frente um desafio porque a arte exige cuidados sutis para a sua elaboração.
O cenário é a sala da casa de uma agente de modelo numa cidade do interior nordestino e esse ambiente vem como símbolo de quebra da normalidade estabelecida pela sociedade brasileira, porque o comum é viver um casal heterogêneo, mas esse espaço é destinado ao relacionamento de duas pessoas do mesmo sexo. Aí defronta um sistema inovador e diferente do tradicional que não se entrega, luta pelo seu reconhecimento, embora sabe onde e quando tem que recuar para não ser engolido pelo sistema sistematizado. O relacionamento extrapola o espaço cênico e confunde-se com o público, mostrando que ele está conquistando o seu lugar, além de quebrar a distância entre elenco e platéia estabelecida em outros gêneros.
Atores e cenário formam uma perfeita distribuição do espaço, a fim de notabilizar e visualizar o conjunto para o espectador, sem que a ilusão se desfaça.
Assim a concepção cênica se esforçará para criar um ambiente interno dando condições do público sentir que o externo existe e parte para interferir no interno.
Por outro lado, a concepção cênica procurará eliminar, do palco, artifícios desnecessários, utilizando apenas elementos de cena, que valorizem o desempenho do elenco e levem a platéia a uma comunhão de sentimentos.É mais uma batalha que o autor, Avanilton Carneiro, empenha-se a vencer ao longo dos seus vinte e nove anos de existência no Teatro Conquistense e esquecido nesse interior do Nordeste.
Propomos também, analisar os diversos tipos que participam na comunidade social, como o pai viciado, estuprador, capaz de renegar o fruto de um amor em favor do desejo carnal e do dinheiro tornando-se um assassino; a tia que livra a sobrinha das brutalidades do pai, mas foge as normas estabelecidas pela própria Justiça e a usa sexualmente também praticando a pedofilia; o Negrão, figura que surge para se analisar o quanto a nossa sociedade é preconceituosa e camufla o racismo, é fruto do sistema selvagem do país que sem oportunidade cai nas drogas, furtos e estupros, mas redime-se quando acha uma proposta de trabalho honesto, mesmo com uma ex-vítima; a repórter sempre em busca de um furo: o que é tragédia para uns é prazer de informar para outros; plantonista de uma delegacia pública, retrato de um sistema que quase sempre não respeita os sentimentos de quem busca informação ou auxílio em momentos difíceis.
A peça é misturista por trazer mais de um tema, diversos subtemas e gêneros. Além dos temas enfocados, podemos destacar o circo da moda, sonho de muitas Julietas por este mundo afora, e quem sempre se dar bem são os agentes; o futebol, paixão nacional, onde as mulheres a cada ano buscam conquistas de novos espaços e só não evoluíram em muito porque as Federações e Ligas ainda são dominadas pelos homens; a traição num relacionamento cheio de momentos bonitos, sinceros e cercado de prazeres; a ganância pelo dinheiro, onde os personagens não respeitam amor de pai para filha, de cunhado ou de verdadeiras amantes: o dinheiro conduz o sistema e quem vive nele, no texto, não há a bondade esperada por todos e tão comum como lição de moral, o pai não se arrepende do que fez, quer é mais, o máximo para satisfazer o seu prazer, com a filha e com o dinheiro em poder dela, os psiquiatras que se justifiquem, a amante não quer saber se o seu amor voltará encarnada em outra pessoa ou não, não importa se é branca ou negra a análise vai de acordo a cultura de cada um: o dinheiro era mais importante, poderia realizar todos os sonhos até então inibidos, quantas outras Julietas ela poderia conquistar com toda aquela grana; o confronto de dois grandes temas: a ressurreição versus a reencarnação. A primeira explícita no ato de Julieta Silva voltar antes de subir ao céu, onde ela própria explica que teve uma nova oportunidade para falar onde estavam os dólares que seriam destinados a uma operação que provocaria a sua própria reencarnação na pele do Cherebronildo contradizendo toda a filosofia do catolicismo e do espiritismo; a questão do vício desponta no enfoque de que as drogas podem mudar toda a trajetória normal de uma família, vidas de pessoas normais podem ser destruídas socialmente ou até mesmo ceifadas; a problemática sexual se faz presente nas suas diversas formas e gostos apresentados pelas personagens onde abre um leque para se debaterem essa temática ainda tabu para muitos.
O misturissmo dar-se também quanto ao gênero. O público desconhecedor dos estilos dramáticos nem perceberá, mas quem conhece as escolas literárias viajará ao longo de muitas delas, como: tragédia, comédia, tragicomédia, drama social, policial, beisterol, clássica, romântica, moderna, pós-moderna, modernidade, fantástica... Por isso é capaz de agradar a gostos diversificados.
Nosso trabalho não se limita a um público elitizado, mas a todo indivíduo que queira raciocinar sobre o mundo.
Todo grupo que propõe montar uma peça sabe que tem pela frente um desafio porque a arte exige cuidados sutis para a sua elaboração.
O cenário é a sala da casa de uma agente de modelo numa cidade do interior nordestino e esse ambiente vem como símbolo de quebra da normalidade estabelecida pela sociedade brasileira, porque o comum é viver um casal heterogêneo, mas esse espaço é destinado ao relacionamento de duas pessoas do mesmo sexo. Aí defronta um sistema inovador e diferente do tradicional que não se entrega, luta pelo seu reconhecimento, embora sabe onde e quando tem que recuar para não ser engolido pelo sistema sistematizado. O relacionamento extrapola o espaço cênico e confunde-se com o público, mostrando que ele está conquistando o seu lugar, além de quebrar a distância entre elenco e platéia estabelecida em outros gêneros.
Atores e cenário formam uma perfeita distribuição do espaço, a fim de notabilizar e visualizar o conjunto para o espectador, sem que a ilusão se desfaça.
Assim a concepção cênica se esforçará para criar um ambiente interno dando condições do público sentir que o externo existe e parte para interferir no interno.
Por outro lado, a concepção cênica procurará eliminar, do palco, artifícios desnecessários, utilizando apenas elementos de cena, que valorizem o desempenho do elenco e levem a platéia a uma comunhão de sentimentos.É mais uma batalha que o autor, Avanilton Carneiro, empenha-se a vencer ao longo dos seus vinte e nove anos de existência no Teatro Conquistense e esquecido nesse interior do Nordeste.


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