É inacreditável. Eu não posso compreender. Se eu estivesse o tempo todo do outro lado, poderiam até falar que seria picuinha política da minha parte. Mas, não. Estive à frente de tantas greves. Coloquei cadeados e os enchi com “durepox” nos portões do ICEEP, Colégio Edvaldo Flores e Educandário Batista Pestalozzi. E eram instituições só conveniadas. Trabalhava com cadastro emprestado. Moda do Governo Waldir Pires/Nilo Coelho. Quantas vezes fui as ruas gritar por salários dignos para a nossa classe? Sou professor. E quantas vezes eu voltei com a cabeça baixa e o rabo entre as pernas? Desmoralizado juntamente com os meus colegas? E sonhávamos um dia chegar ao poder e ter o nosso reconhecimento. Apenas um salário que desse pra comer, pagar as contas e sobrar um pouquinho para a educação e lazer dos meus filhos. E não o salário que não dava pra pagar sequer o gás. Comprava fiado. E quando, no final do mês, aquela música da companhia de gás soava, no início da rua, e o salário havia entrado e sumido, ecoava como os sinos de Notre Dame. Já não bastava a decepção da última greve que era uma luta para não deixar isso acontecer. Cabisbaixo, tinha que abrir a porta e ver o cobrador crescer pra cima de mim. Um professor? Anos de estudo! Quatro anos só numa faculdade? E ter que passar por aquilo? “Um dia a gente vai ganhar e vou ter um salário digno pra não deixar isso acontecer mais”. Eu já participei de greve com Jaques Wagner empunhando a nossa bandeira pelos merecidos 35%. Eram muito? Não. O sindicato justificava ser apenas perdas ao longo dos anos. (Eu questionava a tamanha incompetência de deixar acumular tanto. Mas não levantava a minha voz para não dividir o movimento. E estavam a erguer a nossa bandeira, mesmo que fosse só nos anos eleitorais para arrebentarem as urnas de Alice Portugal, Waldir Pires, Jaques Wagner, Guilherme Menezes, Waldenor e tantos outros defensores dos educadores nas épocas das campanhas. Cadê essa turma? Permitem os 1,5%, 1,5%, 1,5%? Cadê as vozes deles? O ano que vem a gente escuta.).Quando os ex-companheiros chegaram ao poder, eu já estava aposentado por invalidez, vergonhosamente com o salário reduzido ainda mais. Adoecer trabalhando pro Estado você tem que perder 30% sobre o salário de fome. Imagine, hoje, como eu encaro o Moço do Gás?
De repente, eu vejo Guilherme Menezes, Alice Portugal, Waldir Pires, Lula. Sarney! Outrora tão combatido por Lula, hoje, grandes amigos. Todos eles receberem 28%. Cresceu a expectativa. Finalmente! Nem liguei para a incompetência de Waldir Pires no caso dos controladores. Tão pouco para sua declaração absurda; “Depois que pago todas as contas só sobram R$ 5.000,00 pra mim”. Que é isso, companheiro? Eu estava sozinho na sala. Mas morri de vergonha por toda a nação. Rir? Gozar? Protestar? De que iria adiantar algum encaminhamento? Ele já havia ganhado os 28,5%. Não seriam mais sós os minguados 5.000,00. Vão ser mais de R$ 6.500,00. Faça bom proveito, Waldir. Tenho certeza que você não passa vergonha diante de “Seo” Pedro, o Moço do Gás.
Eu não pude acreditar quando uma profissional da educação saiu do gabinete do Governador Jaques Wagner, falando que compreendia que o “Querido Governadozinho”, tão cansado de passear de Lancha, beber sua CERVEJA (Bota preço numa garrafa de cerveja), com a ministra (Será que ela não veio com seus próprios recursos?), não podia dar o tão sonhado aumento aos professores. Que decepção. Logo a seguir o GOVERNADOR imponentemente anuncia os 4,5%, subdivididos em três parcelas. Não importa pra quando. É saber que não tem jeito. É farsa pura. Bruta enganação. Manipular, fazer dos professores marionetes. Se a fumaça está saindo do motor da lancha, se os seus companheiros já estão atrás das grades. Antes que o fogo apareça. Salve os educadores, Governador. Iguale o percentual dos professores ao dos seus dois grandes mestres: Lula e Waldir Pires, ou seja, não queremos cerveja servida na lancha, apenas 27,5%. Queremos comprar o gás a dinheiro.


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