A Produção de textos para o teatro brasileiro é tão evolutiva e volumosa que não tem como sabermos da existência de parte dessa criação. Às vezes muitos desses autores ficam esquecidos nesse imenso interior do país e só com uma oportunidade dessa, através da Internet é que desponta a esperança de não passar toda uma existência lutando pelo o teatro e ter o reconhecimento apenas de uma cidade, uma região ou interior de um estado que já se situa à margem do país.
Muitos desses textos trazem tamanha força no seu todo que são capazes de fazer indivíduos pensar diferente após manter contato com eles, seja na leitura, como literatura, seja assistindo sua montagem, principalmente quando é um texto que enfoca um tema presente dentro da comunidade em que se vive. No caso, “JULIETA JULIETA”, de Avanilton Carneiro, peça que pela importância literária, situa um tema muito forte (principalmente em nosso país): a violência contra a mulher, escondido num outro tema que se confunde e luta para não ser um subtema, mas tem a mesma importância num contexto de debate, no referente a marginalização: o homossexualismo feminino.
No fundo destes dois temas da obra de Avanilton Carneiro destampa uma realidade viva em nossa sociedade: o abuso sexual. Quer familiar, através do pai e da tia, quer fora do seio do lar, através das demais personagens que surgem no caminho da nossa Julieta Soares Silva, personagem que já nasce num lar trágico e perturbado. Filha de pais viciados, após perder a mãe, vítima de uma overdose, ainda criança, é bolinada e estuprada pelo pai que toda noite cheirava cocaína ao lado dela, na cama. A tia que fica com a guarda a envolve sexualmente dando-lhe as primeiras lições de um relacionamento entre duas mulheres. Após uma tragédia finalizadora da vida de sua tia e a suposta morte do pai, a garota foge e, em outra cidade, não só é amparada, mas abusada por uma outra Julieta. A Julieta Maltek. Desse aproveitamento mutuo: uma buscando proteção; outra querendo satisfazer o seu desejo carnal; desponta um lindo relacionamento envolto de amor, mas que pode ser questionado: até que ponto é sentimento até que ponto é busca de proteção? Dúvida quase sempre estabelecida numa vida entre duas pessoas do mesmo sexo onde uma é definida profissionalmente e a outra não.
Por ser atraente e bonita, Julieta Silva torna-se vítima do desejo sexual, principalmente, pelos homens que quase sempre não sabem conter seus impulsos fisiológicos e partem para a agressão e o desrespeito quanto ao processo de ser mulher e ser-humano e merecer o respeito como pessoa. A sua beleza física e o seu modo ousado de vestir-se levam toda uma gangue a violentá-la sexualmente em pleno ônibus coletivo rodeada de cidadãos de bem e ninguém tem a coragem de enfrentar o perigo e salvá-la das garras dos abutres. Ela é vista como uma carne apodrecida, sem nenhum valor, tão somente para alimentar o desejo daqueles urubus ardendo em fome. Esta visão só é estampada porque todos se colocaram nas condições de fracos e impotentes, incapazes de reagirem ante a bruta violência que emana dentro da própria sociedade. Realidade tão presente no nosso cotidiano. Alguns, de tão covardes, aderem à violência imposta pelos brutos e chegam a pagar para também abusarem sexualmente da indefesa Julieta Silva.
Avanilton baseia-se em fatos reais, de tão comuns, deixaram de ser isolados e ao longo do dia a dia são noticiados em cidades diversas, de maneiras diferentes, cenários reais, personagens diversificados, mas o resultado é o mesmo: filha abusada pelo pai, jovem estuprada ou assassinada.
Poderia ser só trágico se não houvesse um tempero cômico para quebrar o lado dramático verificado em qualquer ambiente onde haja almas submissas a desejos fortes que conduz cada personagem a agir rigorosamente dentro da lógica peculiar a sua força interior de conter ou não os seus impulsos.Julieta Maltek, além da sua vida profissional, produtora de modas, não conhece outro dever além daquele de correr em auxílio a Julieta Silva. Pára num sinal e, à margem da calçada, estava aquela menina loirinha e linda, teme ser uma garota de rua, mas, por causa do vestir-se diferente e ser bem tratada, percebe ser apenas alguém com um problema. A leva para casa e começa uma vida a duas. Amor e proteção. Sempre buscando o melhor: Bons estudos, dança, desfile, carinho e amor. Discreta, mas isenta de qualquer preconceito moral, assume o papel de mulher amante de outra mulher sem questionar o porquê e recusa-se a responder quando interrogada. O importante não era ser questionada, mas dar-se, amar e ser amada. Para ela, sua vida particular não interessava a ninguém. Queria era ser feliz e fazer feliz. Não obedecia às exigências do bom senso impostas pela sociedade e religião: heterogeneidade num relacionamento a dois. Ela entrega-se à torrente da própria paixão.
Muitos desses textos trazem tamanha força no seu todo que são capazes de fazer indivíduos pensar diferente após manter contato com eles, seja na leitura, como literatura, seja assistindo sua montagem, principalmente quando é um texto que enfoca um tema presente dentro da comunidade em que se vive. No caso, “JULIETA JULIETA”, de Avanilton Carneiro, peça que pela importância literária, situa um tema muito forte (principalmente em nosso país): a violência contra a mulher, escondido num outro tema que se confunde e luta para não ser um subtema, mas tem a mesma importância num contexto de debate, no referente a marginalização: o homossexualismo feminino.
No fundo destes dois temas da obra de Avanilton Carneiro destampa uma realidade viva em nossa sociedade: o abuso sexual. Quer familiar, através do pai e da tia, quer fora do seio do lar, através das demais personagens que surgem no caminho da nossa Julieta Soares Silva, personagem que já nasce num lar trágico e perturbado. Filha de pais viciados, após perder a mãe, vítima de uma overdose, ainda criança, é bolinada e estuprada pelo pai que toda noite cheirava cocaína ao lado dela, na cama. A tia que fica com a guarda a envolve sexualmente dando-lhe as primeiras lições de um relacionamento entre duas mulheres. Após uma tragédia finalizadora da vida de sua tia e a suposta morte do pai, a garota foge e, em outra cidade, não só é amparada, mas abusada por uma outra Julieta. A Julieta Maltek. Desse aproveitamento mutuo: uma buscando proteção; outra querendo satisfazer o seu desejo carnal; desponta um lindo relacionamento envolto de amor, mas que pode ser questionado: até que ponto é sentimento até que ponto é busca de proteção? Dúvida quase sempre estabelecida numa vida entre duas pessoas do mesmo sexo onde uma é definida profissionalmente e a outra não.
Por ser atraente e bonita, Julieta Silva torna-se vítima do desejo sexual, principalmente, pelos homens que quase sempre não sabem conter seus impulsos fisiológicos e partem para a agressão e o desrespeito quanto ao processo de ser mulher e ser-humano e merecer o respeito como pessoa. A sua beleza física e o seu modo ousado de vestir-se levam toda uma gangue a violentá-la sexualmente em pleno ônibus coletivo rodeada de cidadãos de bem e ninguém tem a coragem de enfrentar o perigo e salvá-la das garras dos abutres. Ela é vista como uma carne apodrecida, sem nenhum valor, tão somente para alimentar o desejo daqueles urubus ardendo em fome. Esta visão só é estampada porque todos se colocaram nas condições de fracos e impotentes, incapazes de reagirem ante a bruta violência que emana dentro da própria sociedade. Realidade tão presente no nosso cotidiano. Alguns, de tão covardes, aderem à violência imposta pelos brutos e chegam a pagar para também abusarem sexualmente da indefesa Julieta Silva.
Avanilton baseia-se em fatos reais, de tão comuns, deixaram de ser isolados e ao longo do dia a dia são noticiados em cidades diversas, de maneiras diferentes, cenários reais, personagens diversificados, mas o resultado é o mesmo: filha abusada pelo pai, jovem estuprada ou assassinada.
Poderia ser só trágico se não houvesse um tempero cômico para quebrar o lado dramático verificado em qualquer ambiente onde haja almas submissas a desejos fortes que conduz cada personagem a agir rigorosamente dentro da lógica peculiar a sua força interior de conter ou não os seus impulsos.Julieta Maltek, além da sua vida profissional, produtora de modas, não conhece outro dever além daquele de correr em auxílio a Julieta Silva. Pára num sinal e, à margem da calçada, estava aquela menina loirinha e linda, teme ser uma garota de rua, mas, por causa do vestir-se diferente e ser bem tratada, percebe ser apenas alguém com um problema. A leva para casa e começa uma vida a duas. Amor e proteção. Sempre buscando o melhor: Bons estudos, dança, desfile, carinho e amor. Discreta, mas isenta de qualquer preconceito moral, assume o papel de mulher amante de outra mulher sem questionar o porquê e recusa-se a responder quando interrogada. O importante não era ser questionada, mas dar-se, amar e ser amada. Para ela, sua vida particular não interessava a ninguém. Queria era ser feliz e fazer feliz. Não obedecia às exigências do bom senso impostas pela sociedade e religião: heterogeneidade num relacionamento a dois. Ela entrega-se à torrente da própria paixão.


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