quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Por não ser cliente partidário, Avanilton Carneiro não recebe apoio para ir assistir a Leitura Dramática da sua peça: "O Porão", no RJ



Email enviado ao diretor da peça: "O Porão" justificando a não ida à Leitura Dramática, no Teatro II, CCBB, Rio de janeiro, no próximo dia 15, às 15h:00.


Caro Ivan Sugahara,

Moro numa cidade proviciana culturalmente. Só de melhor ator, foram oito prêmios trazidos para essa Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha e do meu coração. Venci ou fiquei entre os três primeiros colocados em alguns festivais de teatro. Por quatro vezes consecutivas fui eleito delegado para representar a Bahia em congessos nacionais de teatro. Já venci seis editais à nivel estadual e três, nacional. Agora, fui o único Nordestino a ter uma das minhas quarenta e um peças ("O Porão") selecionada no Concurso "Seleção Brasil em Cena". E não vou poder participar desse passo mais importante que a Dramaturgia Conquistense deu, simplesmente porque não sou cliente partidário do prefeito. É lamentável saber que, dos cantores que virão participar dos festejos natalinos, o valor mais baixo, só com passagens áreas, vai ficar em torno de 3.200,00 pagos à vista. Fora hospedagens e chacês. Só solicitei duas passagens, ida e volta, de ônibus, e R$ 250,00 para hospedagens e alimentação pelos os dois dias que eu ficaria na Cidade Maravilhosa. Me foram negados alegando que o débito com a agência de turismo não havia sido quitado então a mesma suspendeu o fornecimento de passagens. Enquanto o valor para as despesas, fariam um empenho sem previsão de recebimento (Há artistas, da cidade, que cantaram em maio, no Micareta, e até hoje não receberam). Estou passando apertos financieros por conta de uma aposentadoria por invalidez que o Estado nunca pública e enquanto isso reduziu o meu salário em mais de 60%. Por isso, não posso arcar com tais despesas nessa ida ao Rio de Janeiro para aventurar receber ou não. Outras aposentadorias que têm pistolões do mesmo partido do Governador já foram publicadas mesmo tendo dado entrada posterior a minha.
Após o Secretário Municipal de Cultura me negar as passagens, uma colega, da dança, as conseguiu para São Paulo apenas para participar, por um dia, de uma oficina com alguém que vem da Itália. Ela é cliente partidária do prefeito.
Recentemente, 15 de outubro, atores da minha peça: "Colégio Kadija" foram impedidos de distribuírem panfletos divulgando-a durante um churrasco em homenagem aos professores, bem como os seus cartazes não foram autorizados a serem afixados nas escolas estaduais. Mas, o maior absurdo, foi eu ter que suspender a peça e estou preparando novo elenco, porque cinco atrizes, por ironia do destino, eram filhas de diretoras de escolas públicas e a peça critica justamente os benefícios que o Governador deixa de fazer pela a caótica Educação Baiana que ocupa o vergonhoso 26º lugar no Ranque Nacional.
Jamais imaginava ser censurado por essa "esquerda" que tão heroicamente lutou para derrubar a censura quando era oposição. E eu deu a minha contribuição. Quantos muros eu pichei: "Abaixo a Censura"? De quantas passeatas eu participei? Aqui e em Salvador? Pelo Fim da Censura e pelas Diretas Já?
Infelizmente, não vou poder assistir a Leitura Dramática da peça: "O Porão", de minha autoria, no próximo dia 15, às 15h:00, no Teatro II, do CCBB, RJ, sob sua direção. Desejo-lhe um ótimo trabalho e dê merda aos atores por mim. Percebe-se o porquê Glauber Rocha deixou essa cidade logo cedo e nunca ligou em divulgá-la, pois sabia que jamais encontraria apoio para se tornar o Glabuer Rocha vivendo sob essa política mesquinha e cega que faz de tudo para enterrar os talentos que não são clientes partidários dos prefeitos.
Hoje, um bando de oportunistas vivem usando o nome de Glauber para conseguir aprovar projetos como a última Mostra de Cinema Conquista. Eu só não consegui entender como que o Secretário Municipal de Cultura, Gildelson Felício, me justificou de que alguns gastos com os Festejos Natalinos ficariam por conta de uma sobra da referida Mostra. Pensei que a Petrobas só aprovava verbas que tivessem gastos comprovados e previamente estabelecidos em planilhas. Faltar dinheiro nos projetos é comum. Mas, sobrar? Desviar tais sobras para outros fins? O Brasil já sabe o que é isso.
Recentemente, o Secretário Municipal de Cultura, Gildelson Felício, pediu para que eu não desse "pau" nele na imprensa, por eu ser seu amigo, referindo-se quando eu respondi a uma pergunta de um repórter e a concluir falando que a Secretaria Municipal de Cultura só servia como cabide de empregos, atender aos clientes partidários e fazer caixinha para os partidos políticos. Disse-lhe que não podia deixar de denuciar tais arbitrariedades, mas como amigo eu escondia coisas mais graves tal a que ocultei, no auge do Mensalão, que eu poderia tê-lo denunciado que, em 2000, quando saí candidato a vereador pela sigla em que ele era o presidente, eu e todos os demais vinte e seis candidatos, recebemos, das mãos dele e do Deputado Walter Pinheiro, no então comitê do então candidato a vereador Genivan, na Av. Lauro de Freitas, uma certa quantia para gastos emergiciais e pediram para a gente não prestar contas: era o Caixa Dois. O protegi, mas ele não foi digno de viabilizar a minha ida ao Rio de Janeiro para participar desse momento histórico para a Dramaturgia Conquistense, exclusivamente por eu não ser mais cliente partidário do prefeito dele.

Atenciosamente,

Avanilton Carneiro

2 comentários:

Anônimo disse...

É um absurdo que um dirigente deixa a cidade sem o seu representante no passo mais importante da Dramaturgia Baiana deu nesse ano de 2007.
Vergonhoso para o prefeito e o secretário muniicpal de cultura. Avanilton Carneiro! O mundo teatral do país ficou lhe conhecendo. Quem são mesmo esse preeito e tal secretário?

Anônimo disse...

Avanilton, acessei seu blog para ler a matéria que teria sido vinculada pelo Jornal A Tarde. E não encontrei a mesma, acho justo a sua explanação(que atentamente li) mas gostaria de ver os dois lados da moeda, até porque o dinheiro vindo para o Natal da Cidade é uma verba carimbada, por ser patronicio para um evento especifíco, claro que isso na minha opinião não justifica o fato de você não conseguir nenhum tipo de apoio. Todavia insisto em saber os dois lados da moeda que a 'imparcialidade' da mídia teria condição de trazer a tona.
Abraços e parabéns pelo reconhecimento nacional!