sábado, 3 de novembro de 2007

Enfim, o reconhecimento


CCBB Rio revela 12 novos autores brasileiros



O concurso Seleção Brasil em Cena 2007, promovido pelo CCBB Rio, divulga o resultado dos 12 autores finalistas que terão leituras dramatizadas de suas peças dirigidas por quatro diretores cariocas: Stella Miranda, Moacir Chaves, Gilberto Gawronski e Ivan Suhgahara. As leituras vão acontecer durante os finais de semana de dezembro, no CCBB Rio. O elenco será formado por atores indicados pelas principais escolas de teatro do Rio de Janeiro.
O Seleção Brasil em Cena recebeu esse ano 250 inscrições de todo o país. Entre os finalistas, seis cariocas, dois mineiros, um potiguar, um baiano e dois paulistas. O juri do concurso formado por João Coelho, Sérgio Fonta, Sérgio Coelho, Marcos Henrique e Roberto Guimarães. O juri do concurso identificou duas curiosidades: quase todos os finalistas moram no eixo Rio-São Paulo e dos 12 autores selecionados, três deles são atores do mercado teatral carioca.


Lista Oficial de finalistas do Seleção Brasil em Cena 2007:

1. URUBUS - Cristiano Gualda
2. ÁGUAS DE OXALÁ - Raimundo Alberto
3. A VINDA DE SHAKESPEARE - Joseli Ernesto Ceschim
4. E NO MEIO DE TUDO HAVIA A FOLIA - Walner Danziger
5. MALANDRAGEM FACINHA EM TRÊS TEMPOS - Angélica Coutinho, Denise Barreto e Patrícia D'Abreu
6. TRUQUE COM ESPELHOS - Flavio Celio Goldman
7. QUATRO FACES DO AMOR - Eduardo Bakr
8. HAPPY HOUR - Carlos Pesce Thiré, Eduardo Leonel Albergaria
9. É SAMBA NA VEIA. É CANDEIA - Eduardo Ceschin Rieche
10. PEÇA POR PEÇA – Leandro Muniz
11. BAGAGEM OU MEMÓRIAS EXTRAVIADAS - Leonardo Faria Moreira
12. O PORÃO - Avanilton Carneiro


“O Porão”
Avanilton Carneiro



O texto é forte, quem o ler não consegue tirá-lo da mente, quem assistir à peça não vai conseguir esquecê-la. De repente, percebe-se que o personagem está perdido: acorrentado, preso num porão, sem saber qual o seu destino, o porquê de estar ali. Pensa ter sido confundido com algum artista famoso, empresário rico ou político. E vêm à mente duas questões: ser solto ao perceberem o engano ou, irados pelo erro, acabarem com a sua vida como forma de autopunição ou de puni-lo por ser a pessoa errada. Nesse conflito se desespera e pede socorro, mas a platéia não pode acudi-lo, passiva, alheia a sua tormenta, fica curiosa em saber o porquê também. E uma mascarada chega, desce os degraus do porão e só pelo fato de portar uma máscara levanta desconfianças. Ele ainda não sabia o nome dela: Erínea, uma deusa que perseguia os criminosos na mitologia grega. O autor lhe reserva esse arrepio inicial, porque o seu nome: Pã, significava crime, perseguição as ninfas. Como duas pessoas de nomes tão correlatos poderiam se deparar num porão? Como o destino permite que dois nomes desses se cruzem no decorrer de suas existências? Nem a própria ficção será capaz de explicar, pelo contrário, vai deixar as mentes aguçadas em justificar, oferecer caminhos para as divergências, jamais apresentar o porquê de, no meio de bilhões de habitantes no mundo, esses dois nomes tão significativos deixarem marcas tão profundas nos seus respectivos donos em momentos diferentes da vida de cada um.

Um comentário:

Unknown disse...

Meus parabéns Professor!!!Fiquei muito feliz por sua peça ter ficado entre as finalistas!! Em um ambiente tão competitivo com a maioria dos finalistas do eixo Rio-São Paulo, é motivo de muito orgulho ver seu trabalho representando o Teatro Nordestino, Baiano e principalmente:Conquistense!!!Parabéns!!!;)